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Em busca de ativos mais baratos, investidores ESG buscam mercados emergentes

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Em busca de ativos mais baratos, investidores ESG buscam mercados emergentes

Nordea Bank, que administra US$ 450 bilhões, está entre as empresas que buscam ativos mais baratos e lugares que ainda não atendem aos fatores ESG, mas que acabarão por cumprir seus objetivos.

Atrás de mercados ainda não explorados, gestores de fundos da Europa têm buscado investir em países onde os fatores ESG (do inglês, environmental, social e governance, ou ambientais, sociais e de governança corporativa, em português) ainda não são totalmente aplicados.

A unidade de gestão de ativos do Nordea Bank, que administra US$ 450 bilhões, está entre as empresas que buscam ativos mais baratos e lugares que ainda não atendem aos fatores ESG, mas que, segundo seus especialistas, acabarão por cumprir seus objetivos ambientais, sociais e de governança.

"Sentimos que era uma ideia atraente", disse Thede Ruest, responsável por mercados de dívida emergente na unidade de gestão de investimentos do Nordea, em Copenhague, em entrevista a Bloomberg. Sua aposta é que a estratégia forneça "rendimento ligeiramente melhor sem correr muito risco". Também espera que "faça diferença onde possivelmente importará mais".

O Nordea revela que tem alocado cerca de 20% do seu investimento em mercados emergentes. Do total, pelo menos 70% serão investidos em títulos verdes, enquanto o restante será aplicado em títulos convencionais emitidos por empresas sustentáveis, bem como dívida social e atrelada à sustentabilidade.

Embora ainda lenta, principalmente em países emergentes, a implantação dos fatores ESG vem acontecendo. Mesmo em lugares considerados "desenvolvidos", o termo demorou a ganhar espaço. Basta lembrar que o conceito foi criado em 2005, mas só em 2019 começou a ser levado a sério.

"No passado, muitas empresas nem sabiam o que significava a sigla ESG", de acordo com Burton Flynn e Ivan Nechunaev, gestores da Terra Nova Capital, que assessora o fundo Evli Emerging Frontier. "Quando explicávamos, muitos retrucavam, dizendo que não fazia sentido e alguns riam da gente."

Os dois se lembram de uma reunião de 2019 na qual uma diretora financeira "olhou para nós, sem expressão, quando perguntamos sobre sua política ESG". Depois de explicar o que era, "ela caiu na gargalhada". O presidente de uma bolsa de valores em outro mercado de fronteira "perguntou sarcasticamente: 'Vocês realmente acreditam em energia eólica?'". Mas as coisas mudaram e agora é "muito raro" encontrar empresas que não estejam cientes das demandas feitas por investidores ESG, segundo Flynn e Nechunaev.

Apesar de toda esta "boa fé", o mercado está atento para os falsos selos verdes. "É um pesadelo nos expor ao greenwashing [lavagem verde, em português]", disse Ruest, do Nordea, em referência à prática de maquiar metas ambientais. "Esse é um dos maiores medos que tenho."

Ele diz que investidores de renda fixa tendem a conseguir mais proteções do que outros, mas gestores de ativos ainda precisam encontrar seu próprio teste decisivo para evitar padrões falsos em ESG. "O que sempre buscamos é ter credibilidade no emissor, queremos ver planos confiáveis em toda a transição do emissor", disse Ruest.

De acordo com Karine Hirn, sócia-fundadora e diretora de sustentabilidade da East Capital, em Estocolmo (Suécia), países em desenvolvimento tem menores chances de apresentarem falsos selos verdes, porque estão sob menos pressão para divulgar métricas ESG e não estão acostumadas a fingir que são mais virtuosas do que realmente são. 


Com informações do Infomoney

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