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Com piora da economia e juros mais altos, crédito deve ficar mais caro e restrito

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Com piora da economia e juros mais altos, crédito deve ficar mais caro e restrito

2021 deve ter um movimento contrário ao do ano passado. 

As projeções dos economistas para o mercado de crédito este ano não são nada animadoras. Com a elevação da Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano, e a possível piora de indicadores econômicos, os empréstimos devem ficar mais caros e os bancos menos dispostos a conceder financiamentos, por conta dos riscos de calote.

Por isso, 2021 deve ter um movimento contrário ao do ano passado, quando, mesmo diante da pior crise econômica da história recente, o mercado de crédito cresceu 15,5%, pois os empréstimos foram impulsionados por um conjunto de fatores, como os menores juros da história, pacotes de estímulos do governo e afrouxo regulatório. Tudo por conta do agravamento da pandemia do coronavírus, em sua primeira fase.

Nos meses mais críticos da crise, como abril e maio, as concessões tiveram queda expressiva. Depois, com medidas de incentivo do governo e da autoridade monetária, chegaram a crescer 9,4% em julho. Em novembro, o total de novos empréstimos subiu 1,4%, e em dezembro caiu 9,8%. Em janeiro deste ano, houve elevação de 1,9%. Nesse cenário, espera-se uma revisão na previsão do Banco Central de crescimento de 7,8% da carteira de crédito do sistema financeiro em 2021 e os especialistas avaliam que a projeção deve cair para uma taxa de 4% a 5%.

Na pesquisa trimestral, que mede o nível de apetite dos bancos para conceder crédito, divulga pelo BC, mesmo com as medidas de enfrentamento à pandemia, com linhas subsidiadas pelo governo direcionadas às micro e pequenas empresas, nos segundo e terceiro trimestres do ano passado os números foram negativos para o segmento, -0,53 e -0,17 respectivamente. Nos seis trimestres anteriores o dado tinha sido positivo.

O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que – mesmo que haja expansão – o crédito não será voltado para investimentos e sim para suprir o aperto financeiro das pessoas e empresas. "Mesmo com os juros mais altos, as pessoas vão precisar tomar empréstimos para consumo de produtos básicos, o que é ruim, porque reflete a queda da renda e o nível de desemprego. Esse tipo de crescimento não é bom", argumenta.

Segundo Galhardo, o spread – diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram em empréstimos – ainda é um problema no Brasil, mesmo com a queda dos juros nos últimos anos, por causa do alto nível de concentração bancária. "Mais de 80% do crédito está concentrado na mão dos cinco maiores bancos", pondera.

Outros especialistas consideram o momento oportuno para que fintechs e bancos digitais ampliem sua atuação, com menores taxas, o que democratizaria o acesso ao mercado de crédito.

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