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ESG pode ter padrão global liderado por IFRS

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ESG pode ter padrão global liderado por IFRS

Matéria publicada ontem no Valor Econômico contou com a participação de Michel Varon, CEO do Vadu, ao lado de outros especialistas 

O jornal repercutiu decisão anunciada pela Fundação das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS Foudation) de formar um comitê internacional rumo à padronização dos parâmetros mundiais de sustentabilidade no mercado financeiro.

Confira, a seguir, a íntegra da reportagem.

A Fundação das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS Foundation) deu um passo rumo à criação de padrões internacionais de transparência e registro de informações de sustentabilidade, a começar pelas questões climáticas. A entidade anunciou a formação de um Comitê Internacional de Parâmetros de Sustentabilidade (ISSB, na sigla em inglês), com o objetivo de desenvolver uma base global para os mercados financeiros globais.

A Organização Internacional das Comissões de Valores (Iosco), conhecida como CVM das CVMs, endossou a medida. E, se os futuros padrões forem considerados práticos e eficazes, incentivará seus membros a adotá-los.

O trabalho do IFRS para a criação de parâmetros de sustentabilidade tem várias frentes. Uma delas é a publicação de protótipos climáticos e requisitos gerais sobre sua divulgação, desenvolvidos por um grupo de trabalho de preparação técnica, em uma fase preparatória ao ISSB. Esse grupo consolidou os principais aspectos de conteúdo sobre o tema de diversas organizações, como o Conselho de Normas Contábeis Internacionais (Iasb), o Fórum Econômico Mundial e a força de trabalho do Financial Stability Board (FSB). O objetivo é ter um "conjunto aprimorado e unificado" de recomendações para consideração pelo ISSB.

A Iosco disse que a criação do ISSB e a emissão do padrão internacional de divulgação do clima são pilares fundamentais a uma estratégia financeira global sustentável. Em 2020, a entidade disse que não estava satisfeita com a escala de risco do "greenwashing" – quando um agente do mercado afirma que adota critérios verdes, mas na prática não o faz – e a forma fragmentada com que o setor privado definia padrões de sustentabilidade. No ano que vem, a Iosco se concentrará na avaliação do projeto de padrão de divulgação climática do ISSB. Se for considerado prático e eficaz, pretende endossá-lo antes do fim de 2022.

Em discurso na COP 26, o chairman da Iosco, Ashley Alder, disse que a entidade deseja que a IFRS Foundation, ao estabelecer o ISSB, dê uma indicação pública inicial para o mercado sobre como serão estabelecidos os parâmetros com relação ao clima, e espera que haja engajamento com os participantes do mercado. "Se os futuros parâmetros do ISSB se adequarem às expectativas da Iosco, apoiaremos nossos 130 membros para considerarem caminhos para adotar, aplicar ou se informarem pelos parâmetros."

Se o Brasil e as outras jurisdições que compõem a Iosco adotarem os parâmetros, haverá um salto como houve no passado, quando foram implementados os padrões de contabilidade internacionais, avalia o ex-diretor da CVM, Henrique Machado. "É o que realmente vai permitir a comparabilidade, mensurações e qualificação internacional das emissões, dos ativos e dos emissores de capital, evitando o greenwashing e impulsionando as medidas realmente efetivas", disse Machado, que atualmente é sócio do Warde Advogados.

A líder global da Deloitte sobre IFRS, Veronica Poole, disse ao "The Wall Street Journal" que todos países podem ter parâmetros de divulgação de sustentabilidade baseados em suas prioridades, mas o movimento do IFRS os ajudará no alinhamento sobre algumas das questões.

Para o presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Fábio Coelho, a regulação brasileira precisa buscar alinhamento com padrões globais de divulgação. "Para que haja velocidade na implementação, a indução de comportamento para o reporte de aspectos climáticos (e de sustentabilidade em geral) deve ser buscada mesmo por incentivos regulatórios." O mercado aguarda a finalização da audiência pública da instrução 480 da CVM, que traz mudanças no formulário de referência, com perspectiva para incluir maior abertura de informação ESG por empresas.

De forma geral, há dificuldade do mercado em começar a adotar parâmetros e análises dos produtos verdes disponíveis, algo que a IFRS Foundation pode começar a direcionar. "Ainda será preciso um trabalho grande dos governos para fornecer e consolidar melhor as informações ESG", afirma Michel Varon, fundador da fintech Vadu, que fornece soluções de análise e monitoramento para o mercado de crédito, incluindo riscos ambientais de empresas.

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