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Crescimento de fraudes desafia setor bancário durante a pandemia

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Crescimento de fraudes desafia setor bancário durante a pandemia

Instituições financeiras apostam em novas tecnologias, conscientização de clientes e parcerias com segurança pública no combate a golpes digitais 

Investimentos em novas tecnologias, conscientização dos clientes e parcerias com o setor público estão entre as estratégias adotadas pelas instituições financeiras no combate a fraudes financeiras. Segundo especialistas que participaram de debate sobre o tema no CIAB Febraban 2021, na última semana, a pandemia da Covid-19 fez com que mais pessoas – muitas pela primeira vez – buscassem canais digitais, elevando o número de golpes digitais.

"Os bancos investem de forma significativa em sua infraestrutura e aplicativos. Nesse contexto, os fraudadores acabam tendo o foco direto no cliente, que acaba sendo o elo mais fraco devido ao comportamento das pessoas. Infelizmente, com a digitalização acelerada e com o maior número de pessoas hoje atuando no mundo digital, não necessariamente elas têm o conhecimento de onde estão os principais riscos, o que as torna mais protegidas ou vulneráveis em uma fraude", alerta Adriano Volpini, diretor de Segurança do Itaú Unibanco e da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Rafael Giovanella, gerente-geral da Unidade Estratégica de Segurança Cibernética e Prevenção a Fraudes do Banco do Brasil e diretor Setorial da Comissão Executiva de Segurança Cibernética da Febraban, ressaltou que mais de 70% dos golpes são relacionados à engenharia social, técnica empregada por criminosos virtuais para induzir usuários a enviar dados pessoais e financeiros.

"Apesar de parecer um golpe novo, a engenharia social é muito antiga, que foi popularizada nos 2000. Não é uma técnica nova, mas vem evoluindo ao longo dos anos. Caímos tanto em golpes porque somos seres humanos e temos nossas fraquezas psicológicas, e é isso que o engenheiro social explora."

Erik Siqueira, agente da Polícia Federal, reforçou que o criminoso é um oportunista e vai tentar atacar o lado mais fácil. Segundo ele, a inclusão de novos clientes de canais cresceu na pandemia e muitos não têm a cultura de segurança.

"O crime passa a investir em tecnologias para explorar a fragilidade do usuário. Além disso, o ambiente digital dá uma falsa sensação de segurança quando acessamos os canais de casa, o que acaba enganando o usuário e, por isso, temos um aumento dos golpes", completou.

Para Siqueira, a palavra-chave no combate a fraudes no setor financeiro é a cooperação entre o setor público e privado. De acordo com o agente, a PF tem um acordo com a Febraban para atuar nesse sentido.

"Nós temos que nos unir como instituição de Estado e mercado privado para combater o crime. A PF tem um projeto chamado ´Tentáculos´, que é um avanço enorme. Estamos fazendo reuniões periódicas com o grupo de trabalho, com a Febraban, dentro do escopo do Ministério da Justiça. Não é só um problema de segurança pública, mas que atinge o ambiente de negócios e toda a sociedade", afirmou.

De acordo com o diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Febraban, além disso, os bancos têm apoiado o desenvolvimento de delegacias de crimes cibernéticos nas polícias civis, com investimentos e compartilhamento de conhecimento.

Segundo ele, um dos pilares para o combate a fraudes é a conscientização de clientes para que eles entendam como se comportar no mundo digital, com cuidados que devem ter não só nas transações bancárias, mas também com seu Imposto de Renda, seus dados pessoais e outras informações. "E esse é um trabalho importante que tem sido feito pela Febraban e cada instituição financeira", afirmou.

Volpini acrescentou que os bancos investem cerca de R$ 2,5 bilhões por ano em segurança. Uma das áreas de aportes é a de monitoramento e detecção de operações não usuais que podem oferecer risco de fraude. "Nesse aspecto, é um processo que sofre transformação contínua. Na medida em que as transações evoluem, as ferramentas e estratégias dos bancos também evoluem", disse.

Giovanella destacou que a segurança é um dos pilares da infraestrutura bancária e os investimentos devem continuar crescendo na área, com a busca de soluções para dar mais robustez ao sistema. "Estamos falando em investimentos em novos modelos de autenticação, como a biometria facial, de voz, que já têm muitos desenvolvendo e estudando, e também a chamada biometria comportamental, que permite identificar pela maneira de digitar no teclado e se movimentar se aquele é mesmo o cliente do banco e não um fraudador, que age de forma diferente", revelou. 

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