Portal de notícias do profissional de crédito.

Banco Central cria bureau de crédito verde e riscos socioambientais ganham mais relevância para liberação de financiamentos

Conteúdos ExclusivosCRÉDITO VERDE

Banco Central cria bureau de crédito verde e riscos socioambientais ganham mais relevância para liberação de financiamentos

Especialistas apontam o crédito como importante instrumento para enfrentamento dos desafios socioambientais no Brasil 

A preservação do meio ambiente e os efeitos das mudanças climáticas no planeta há tempos deixaram de ser preocupações exclusivamente governamentais e passaram a fazer parte do vocabulário das empresas. Mas, no Brasil, ainda são incipientes os planos de metas e iniciativas concretas nesse sentido, em grande parte dos setores produtivos.

Para "assegurar se o que estamos fazendo está no caminho certo", Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, anunciou durante evento realizado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), na semana passada, a criação do bureau de crédito rural verde. Trata-se de um centro para manejar risco de crédito, no qual serão registrados todos os créditos concedidos ao setor agrícola e cuja plataforma reunirá cada vez mais informações dentro do ambiente do Open Banking. Com isso, será possível fazer um mapa identificando para quais áreas produtivas serão destinados os investimentos.

Além de concentrar importantes dados estatísticos, a iniciativa será também uma referência para os mercados de títulos verdes, segundo o presidente do BC, que ressaltou a necessidade de transparência por parte dos bancos centrais com relação aos instrumentos e políticas adotadas.


ESG e Riscos Socioambientais

Na mesma linha de transparência e responsabilidade socioambiental do Banco Central, os bancos privados também estão cada vez mais criteriosos na liberação de crédito para setores com projetos em áreas sensíveis, que atinjam o bioma, com riscos de desmatamento ou aumento de poluição. Ou seja, para operações que causam maior impacto ambiental, a liberação de crédito está mais difícil e complexa.

"Apesar de ainda estarmos no meio de um período muito turbulento, por conta da pandemia da covid-19, os empresários brasileiros vêm demonstrando cada vez maior interesse nas práticas ESG. Ao contrário do que se podia prever, a crise global tem direcionado a atenção da maioria para temas que eram pouco relevantes nas organizações há alguns anos", afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil.

Para os especialistas, o crédito é um dos instrumentos para os urgentes desafios sociais e ambientais que devem ser enfrentados, portanto, as áreas de análise de riscos dos bancos serão cada vez mais exigidas no Brasil e no mundo, pois há um alerta global de possíveis crises graves nos negócios, produzidas por mudanças climáticas.

Dados da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) constatam que, em 2020, a economia verde recebeu cerca de 22% do crédito concedido para pessoas jurídicas no país, grande parte destinada a atividades de agricultura de baixo carbono, recuperação de florestas, geração e transmissão de energias a partir de fontes renováveis, além de eficiência no uso de recursos naturais. Com a criação do bureau verde pelo BC, esse índice de financiamento deve ser alavancado. O objetivo é aumentar em até 20% os recursos para operações consideradas verdes. Para quem não cumpre com os requisitos, o cerco começa a apertar e o financiamento ficará cada vez mais difícil. 

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://infocredi360.com.br/

No Internet Connection