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Os impactos da Covid-19 no endividamento das famílias e empresas

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Os impactos da Covid-19 no endividamento das famílias e empresas

Após um ano, podemos comparar alguns números com base nos efeitos que a pandemia gerou. 

No Brasil, o endividamento das famílias cresceu, ou seja, estamos devendo mais em março deste ano do que no início da pandemia em 2020.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgados em 30/03/2021, o porcentual de famílias endividadas no Brasil alcançou 67,3% em março deste ano, uma alta de 0,6 ponto porcentual em relação ao mês anterior e de 1,1 ponto em comparação a março de 2020. Ainda de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela CNC, esse é o quarto aumento seguido do indicador, que alcançou a segunda maior proporção histórica, abaixo apenas do porcentual apurado em agosto de 2020 (67,5%). Estamos observando uma crescente deste índice que aponta um tendência esperada com a diminuição da geração de renda.

Porém, cabe destacar que a mesma pesquisa mostrou que o porcentual de famílias que está realmente com atraso nos seus compromissos teve uma pequena queda, pelo sétimo mês, alcançando agora 24,4%, índice 0,9 ponto porcentual abaixo do apurado em março de 2020. Isso pode denotar uma maior prudência das famílias na priorização da utilização de renda, alongando outros compromissos (por isso aumentando o nível de endividamento geral).

Com toda a movimentação em relação ao fechamento do comércio, circulação e restrições de funcionamento de bares e restaurantes (que atinge diretamente o turismo e toda a cadeia de fornecedores) esse impacto no mercado de trabalho era esperado e, pode agravar ainda mais o endividamento e inadimplência.

O auxílio emergencial e todas as formas de complemento de renda, serviram como uma mola amortecedora para os efeitos do desemprego e desocupação sobre a economia e geração de renda. Porém, os efeitos destas políticas devem reverberar menos neste ano devido a diminuição dos valores aplicados, bem como na diminuição da confiança do mercado e consumidores na retomada efetiva da economia advinda do processo de imunização em massa.

É necessário também fazer uma rápida consideração sobre o perfil do endividamento das famílias. No geral, como as famílias estão sob uma situação de redução do consumosobretudo as de renda per capta menordeverão recorrer a utilização de linhas de crédito para emergências, pagamentos de dívidas, manutenção e complemento da renda. Já as famílias de renda per capta mais alta, devem concentrar o endividamento no cartão de crédito, alongando o perfil de dívidas – principalmente ligadas a consumo de pequenos bens duráveis – e eventualmente preservando algum nível de poupança.

Este mesmo fenômeno, deve ser também observado no comportamento das empresas. Seja por conta de providencias governamentais para alongamento de compromissos fiscais (prorrogação de prazos de pagamentos de impostos) ou pela negociação com fornecedores e instituições financeiras no geral, que tendem a ser mais tolerantes e flexíveis para negociações com credores neste período.

Vamos observar a divulgação dos próximos indicadores de comportamento de mercado que serão importantes para o entendimento da evolução do endividamento e inadimplência de famílias e empresas para o próximo período. 

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