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O Mundo na mesa do Copom

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O Mundo na mesa do Copom

Segunda reunião do ano do Comitê de Política Monetária deve revelar muito mais que taxa Selic a vigorar a partir de manhã no Brasil

Estamos às vésperas da segunda reunião do COPOM em 2022. Na primeira, em 3 de fevereiro, o Banco Central manteve a tendência de alta, ao elevar a taxa básica de juros de 9,75% a.a., para 10,75% a.a.

A princípio, havia a expectativa de que o Banco Central elevasse a Selic em mais um porto percentual, mantendo o viés de alta, mas também sinalizando o teto e, com isso, comunicando ao mercado o horizonte de expectativas e os limites em que estaria disposto a trabalhar.

Porém, houve algumas mudanças importantes e que precisam ser consideradas para a reunião desta semana, pois são novidades que podem influenciar diretamente na decisão do comitê. São elas:

a) Existe uma percepção de que novos incrementos no percentual da Selic perderam sua eficiência na contenção de inflação, tendo em vista que o mercado, como um todo, já absorveu esta instrumentalização e tem se antecipado nas reações.

b) Os conflitos do Leste Europeu estão se alongando mais do que o mercado acreditava e as sanções comerciais internacionais começando a ganhar proporções que projetam consequências de longo prazo.

c) Embora a semana passada tenha terminado com algum otimismo em relação ao dólar, a interrupção das negociações, já na segunda, voltou a deixar a cotação do dólar mais arredia em relação à apreciação do real.

Não bastasse o tenso cenário internacional, as consequências das cotações do petróleo em uma economia como a nossa, tão dependente de uma matriz energética fóssil, têm assumido contornos de insustentabilidade, motivando inclusive o governo a buscar soluções pontuais paliativas no aguardo de novos desdobramentos da evolução das tratativas do Leste Europeu e as consequentes acomodações aguardadas para as relações comerciais.

E como o Brasil não é apara amadores, ainda temos mais um ingrediente para acrescentar nesse prato: o período sucessório do poder executivo e todas as movimentações diplomáticas e de acordos comerciais futuros sendo revisitados.

Ou seja, esta próxima reunião que se encerra hoje vai trazer mais do que um aceno sobre a política monetária, mas toda uma leitura sobre a dinâmica da condução dos temas públicos nacionais no próximo trimestre.

Particularmente, acredito que devemos encerrar a reunião com uma taxa entre 11,5% e 11,75%. Isso estaria em linha com todos os anseios de controle de inflação, mas sem impactar drasticamente o eventual incentivo do incremento da atividade produtiva. O setor de serviços deve continuar sendo o grande colchão amortecedor das tensões provenientes da quebra de consumo do setor produtivo.

As inter-relações desses setores, o estrangulamento do spread e ainda a assimetria regulatória dos operadores de crédito fazem com que a concessão de crédito seja cada vez mais uma ciência dependente de conhecimentos (e correlações) multidisciplinares.

E você, ainda está analisando crédito utilizando apenas o relatório do Bureau de Crédito? 

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