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Economia & Crédito
Cenário econômico aplicado ao crédito.

Mistura delicada

Economia e CréditoANÁLISE ECONÔMICA

Mistura delicada

À medida que a temperatura sobe na busca de votos para 2022,  assim como juros  inflação, só diminui mesmo é a possibilidade de previsões confiáveis a esta altura  

O Departamento Econômico do VADU vem acompanhando os indicadores de atividade econômica dos últimos meses e as previsões de mercado para o próximo ano. Em linha com nossas expectativas, não obstante a melhora no ambiente macroeconômico e dos indicadores de confiança nos últimos meses, o ritmo de recuperação ainda continua desnutrido. A grande promessa parece ser o setor de agronegócios que está apontando um crescimento na casa de 3,5% para 2022.

Mercado gosta de estabilidade e o Brasil tem trabalhado num mundo de incertezas agravado pelos cenários cada vez mais evidentes de insegurança jurídica, instabilidade política às vésperas de ano de eleição e uma frágil superação da crise sanitária.

Para ajudar a compor este quadro, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu negativamente ao subir 1,25% na comparação mensal, levando o mercado a revisar novamente para cima as projeções de inflação e ratificar a expectativa de aceleração do ritmo da Selic para a próxima reunião do Copom, em 8 de dezembro.

A aprovação em segundo turno na Câmara dos Deputados, na última terça feira, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios, nos remete a uma leitura de entrelinhas a respeito das alianças políticas às vésperas de um ano de eleições, em que a polarização ainda está em formação.

Na ausência de um cenário binário, pode sobrar espaço para um centrão bem articulado. E nesse mar de incertezas, quando ainda é muito cedo para apresentar as novas alianças que estão sendo desenhadas, não é cedo demais para desfazer rugas das caras feias dos últimos 3 anos. Afinal, ano que vem é vida nova.

A votação deve continuar, agora no Senado, e deve ser um belo termômetro com base no que vimos na Câmara. A votação dos dois turnos da PEC contou com votos não apenas de governistas, mas de deputados da oposição. Não se deixe confundir com essa aparente esquizofrenia política, lembre-se que a PEC serve tanto para viabilizar o Auxílio Brasil (viu que mudou o nome né?) como para flexibilizar o furo do teto de gastos e jogar recursos nas campanhas eleitorais do próximo ano. É confuso, principalmente assistindo-se aos discursos inflamados na TV, mas faz sentido.

Mas é fim de ano. Isso significa duas coisas: liberação de recursos financeiros na conta dos que sobreviveram economicamente à pandemia, através do décimo terceiro salário e a predisposição cultural de consumir mais nas festividades até o carnaval. Aí sim o ano começa. Com dívida, mas começa.

Dessa vez, o desafio do risco e do crédito está em conseguir medir como essas variáveis vão interagir e como isso deve impactar o fluxo de caixa e a perenidade das empresas no curto e médio prazo. Com as taxas de juros mais altas e as assimetrias fiscais e regulatórias dos operadores de crédito, a temporada de caça ao cliente não está só aberta: virou UFC.

Como sempre, as informações estão todas aí, não tem exatamente nenhuma grande novidade, mas como ponderar racionalmente tantos pesos e tantas medidas?

Com método, celeridade e ajuda de um bom sistema... 

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