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Economia & Crédito
Cenário econômico aplicado ao crédito.

Do Sextante ao GPS

Economia e CréditoCRÉDITO

Do Sextante ao GPS

Manter o rumo e não naufragar nas águas revoltas que se avizinham requer mãos firmes no leme e, sobretudo, instrumentos potentes 

Segundo o relatório de expectativas da FEBRABAN, que considerou a coleta de dados entre os dias 15 e 21 de dezembro de 2021, a carteira total de crédito deve crescer 13,9% em 2021, um número superior ao projetado no mesmo relatório em novembro, que era de 12,7%.

Para 2022, o crescimento esperado para o crédito foi revisto para baixo, apresentando uma estimativa de 6,7% contra os 7,3% apontados na mesma pesquisa em novembro. Número bem próximo ao período pré-pandêmico, que era de 6,5% em dezembro de 2019 e bem mais em linha com a realidade das expectativas de crescimento do PIB e a política monetária vigente.

As estimativas da pesquisa Febraban de dezembro ficaram abaixo dos números previstos para a carteira total de crédito em 2021 pelo Banco Central, que passou de um crescimento de 12,6% para 14,6%. Particularmente, prefiro considerar o número da Febraban como um indicador mais aderente ao nosso mercado.

Tanto os recursos livres (que correspondem a 90% das concessões de crédito) quanto os recursos direcionados, tiveram as previsões revisadas para cima. Embora o maior peso tenha ficado com a carteira livre (de +14,8% para +16,3%), que foi claramente puxada pela alta do segmento pessoa física livre (de +16,9% para +18,8%) e pessoa jurídica livre (de +12,7% para +13,9%); a perspectiva para a carteira com recursos direcionados também foi revisada para cima (de +8,1% para +10%).

Mais uma vez, chamo a atenção aqui para a função social do crédito. Desde o início do COVID-19, o crédito tem se prestado a ser a mola amortecedora da crise de consumo e a manutenção do nível de produção. A partir do primeiro trimestre de 2021 é possível notar também o crédito como o combustível para a movimentação de pequenos negócios (ainda que essa demanda se apoie, a princípio, no crédito pessoal) e assim colaborando para a retomada do crescimento econômico ou pelo menos, minimizando os efeitos das quebras das cadeias de consumo.

Para 2022, devemos esperar um comportamento mais discreto desse crescimento de crédito, seja pela política monetária contracionista (com aumento de juros) visando o controle da inflação, seja por outras condições adversas que se apresentam neste começo de ano como, por exemplo, a variável Ômicron.

No geral, o mercado julgou ser acertado o ajuste de 1,5% da Selic na reunião de dezembro do COPOM, quando a taxa foi elevada de 7,75% a.a. para 9,25% a.a. e já se prepara para outros ajustes para cima, a partir da primeira reunião do COPOM em 02 de fevereiro, em linha com o relatório FOCUS de 31/12/2021.

Minha expectativa é que a Selic deva ser elevada para pelo menos 10,5% a.a. já na primeira reunião do COPOM em fevereiro e, pelo menos para 11,5% a.a., a partir da segunda quinzena de março; se mantendo neste patamar até o fim de 2022 ou até novas variáveis que possam alterar a taxa.

A meta fixada da inflação para 2022 é de 3,5%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo. Devemos lembrar que essa meta foi definida em junho de 2019, antes de todo o período de COVID e, sinceramente, acredito ser difícil o cumprimento confortável da meta este ano. Me parece mais provável que apenas em 2023 fiquemos mais próximos do centro da meta, fixada em 3,25%.

O dólar deve se manter na casa de R$ 5,60 pelo próximo ano, contando com as intervenções do BACEN visando a manutenção dos níveis inflacionários e a relação morna do mercado internacional aguardando a corrida sucessória do maior mercado da América do Sul.

Outra variável importante a ser considerada em 2022 são os gastos do governo que, não obstante ao ano eleitoral com todas as travas legais para a contenção de distribuição de recursos, já apresenta uma previsão de aumento da razão Dívida Pública/PIB para os próximos dois anos.

O mercado de crédito continua tendo espaço para crescer e se diversificar, principalmente aproveitando a assimetria regulatória e o hiato deixado pelos bancos comerciais, que preferem não atuar em segmentos menos tradicionais. As abordagens disruptivas das análises de crédito, considerando a predição comportamental econômica em complemento as clássicas análises fundamentalistas, têm assegurado uma rentabilidade significante para os entrantes do mercado de crédito que souberam aproveitar o binômio Selic Baixa e Liquidez. Agora é hora de ajustar o leme em direção a uma Selic na casa de dois dígitos e uma recuperação não tão promissora e veloz assim.

E como você prefere navegar por estes mares? Com GPS ou Sextante? 

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