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A tempestade perfeita

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A tempestade perfeita

Combinação de fatores, aqui e no resto do mundo, nos coloca na condição de tripulantes de um voo cuja turbulência mal começou  

Esta quarta-feira, quatro de maio de dois mil e vinte dois, foi um daqueles dias em que todos os fatores convergem para propiciar um grande evento, quase único, uma tempestade perfeita. Para entender isso, vamos repassar a sequência de eventos.

Primero, a notícia do campo internacional, com a sexta rodada de sanções da União Europeia à Rússia em decorrência da crise com a Ucrânia e os respectivos embargos ao petróleo de demais produtos. É um embargo gradual, mas que deve culminar com um banimento completo dos produtos da Rússia em seis meses.

Isso deve diminuir (ou eliminar) a dependência dos países europeus dos produtos russos até o fim do ano. Embora ainda precise de confirmação da União Europeia, tal possibilidade já impactou o mercado internacional, inflacionando o preço do petróleo e criando a expectativa de um futuro bem complicado durante esta transição: seja pela busca de outros fornecedores internacionais, seja pela urgência de migração para uma matriz energética menos dependente de fonte fóssil.

Em paralelo, a notícia do aumento da taxa de juros americana pelo Federal Reserve em meio ponto percentual, maior elevação desde os anos 2000, revela a percepção do FED de que a inflação sentida pelos Estados Unidos não é tão passageira quanto eles acreditavam, e flerta com um tipo de inflação que o país não tem intimidade: a inflação estrutural. Aliás, o maior nível de inflação americana dos últimos quarenta anos.

A leitura é que essa predisposição em combater a inflação pode levar o FED a adotar uma escalada veloz de taxa de juros, o que impactaria diretamente na movimentação de recursos de investimentos internacionais e, consequentemente, no nível de câmbio da moeda americana. A receita que funciona aqui funciona lá: aumento de juros impacta o consumo e alguns bancos internacionais já especulam se isso seria o início de uma retração da economia americana.

Com todo esse cenário de incertezas, as bolsas do mundo inteiro andaram "de lado" ou caíram. Como sempre digo, o mercado financeiro gosta de previsibilidade. E isso virou artigo raro.

Já por aqui, o COPOM aumentou a SELIC em 1%, chegando ao patamar de 12,75% ao ano. Não chega a ser uma surpresa diante da inflação galopante. Nos últimos 12 meses o IPCA teve uma alta de 11,30%, grandemente influenciada pela alta dos combustíveis e impactos cambiais nas linhas de fornecimento.

A inflação brasileira é um velho inimigo que se levanta novamente, corroendo poder de compra e agravando o cenário de incertezas e previsões não tão otimistas. Porém, a inflação desse período tem uma origem bastante diferente. É a mesma doença, mas a causa é outra. A inflação observada nos últimos 12 meses se deve à crise de abastecimento sim, mas também é acelerada pela retomada do consumo em decorrência da vacinação e a retomada da circulação de pessoas, impactando fortemente o consumo reprimido de três anos. A inflação nesse momento é um efeito colateral da retomada da atividade econômica.

A percepção geral do mercado é que o nível de inflação chegou ao seu pico e que, finalmente, a política contracionista adotada pelo BACEN começa a surtir efeito com ênfase para o segundo semestre. Na prática, são tantos inputs para a inflação elevada, que a calibragem do nível de juros e a atividade econômica ficam, no mínimo, comprometidas.

Só me falta você, no meio desta tempestade toda, ainda estar analisando crédito e risco com base em análises manuais. Puxando relatório de bureau de crédito e checando lastro na mão... Você não está fazendo isso não, né?

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